Londrina, 1959
O edifício térreo, com beiral largo e estrutura aparente, exibe na entrada uma faixa que identifica o estabelecimento e sinaliza sua função agregadora: “Churrascaria
Chopim dá boas-vindas aos radioamadores visitantes”. A calçada encontra-se ocupada por homens trajando paletó e camisas claras, muitos com as mangas arregaçadas; alguns ingressam no recinto, enquanto outros aguardam ou conversam em pequenos grupos, configurando o restaurante não apenas como espaço de alimentação, mas também como ambiente de sociabilidade e articulação social.
Embora o endereço não esteja visível na imagem, o contexto histórico é determinante. A Churrascaria Chopim estabeleceu-se no interior do Parque de Exposições Governador Ney Braga, inaugurado em 16 de fevereiro de 1964, espaço que se consolidou como sede da ExpoLondrina e de diversos eventos agropecuários, técnicos e institucionais ao longo das décadas.
Nesse cenário, a experiência gastronômica integrava o próprio ritual social das feiras e exposições. Almoçar no parque extrapolava a mera pausa entre visitas a pavilhões: constituía momento estratégico de encontros, negociações, articulações políticas e fortalecimento de redes profissionais.
Fundada em 1959 por Omir Alberici, natural de Erechim (RS), a Chopim operou no Parque Ney Braga até 1982. Destacou-se nacionalmente por introduzir o sistema de rodízio de carnes e por popularizar o churrasco de cupim, prática que se tornaria referência no setor gastronômico. O êxito alcançado em Londrina impulsionou a expansão da marca, com a abertura de filiais no Parque de Exposições de Maringá e no Parque Castelo Branco, em Curitiba.
A faixa dedicada aos radioamadores, evidenciada na fotografia, sugere uma cidade articulada por redes de comunicação e hospitalidade institucionalizada, na qual o restaurante assumia papel estratégico no acolhimento de visitantes, clubes e comitivas oficiais, convertendo o almoço em extensão das agendas públicas e privadas. No ano 2000, houve tentativa de retomada da marca pela família, iniciativa que não se sustentou, em grande medida devido à constante comparação com a fase considerada “original”.
Fontes
PORTAL O LONDRINENSE.
MARINGÁ HISTÓRICA.
MUSEU HISTÓRICO DE LONDRINA PADRE CARLOS WEISS.
ACERVO LONDRINA HISTÓRICA.

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