Geossítio Pinheiro de Pedra – Prudentópolis/PR
Geossítio Pinheiro de Pedra – Prudentópolis (PR)
Inscrição nº 29-I | Processo nº 01/2020
Data da Inscrição: 1.º de dezembro de 2022
Localização: Ponte Nova – Faxinal do Tabãozinho | Município de Prudentópolis – PR
Propriedade: Prefeitura Municipal de Prudentópolis
Um fóssil do Permiano e um alerta para o presente
O Geossítio Pinheiro de Pedra é uma preciosidade científica cravada no município de Prudentópolis, no coração do Paraná. Com localização precisa nas coordenadas 25º22’09.36”S e 51º00’56.78”O, ocupa uma área de 12.579,80 m² de propriedade municipal, devidamente registrada sob matrícula nº 24834 da Comarca local.
Ali repousam troncos fossilizados de coníferas primitivas — alguns com mais de 10 metros de comprimento — incrustados em rochas sedimentares (siltitos, folhelhos e arenitos finos) da Formação Teresina, pertencente ao Grupo Passa Dois, da Bacia do Paraná. Essas rochas datam de nada menos que 250 a 260 milhões de anos, no final do Período Permiano, quando o planeta era dominado pelo megacontinente Pangea e cercado pelo oceano Panthalassa. Ou seja: é história da Terra em estado bruto.
Esses fósseis vegetais, pertencentes à flora de Glossopteris, são registros vitais para a compreensão da paleoecologia do Gondwana sul-americano. E o mais impressionante: estão em estado de conservação tão bom que parece que o tempo só passou por educação física, mas faltou nas aulas de destruição natural.
Popularmente conhecido como “Pinheiro de Pedra”, o local ganhou nome graças a uma lenda regional e se tornou uma das joias do turismo paleontológico e cultural de Prudentópolis. Diante de tamanha importância científica, histórica e simbólica, o Estado do Paraná tombou o bem em 1.º de dezembro de 2022, reconhecendo oficialmente seu valor como patrimônio cultural.
Política pública sobre patrimônio cultural-histórico
Apesar do potencial gigantesco de Prudentópolis — com seus cânions, cachoeiras, sítios arqueológicos e herança cultural ucraniana — a valorização do patrimônio ainda caminha em marcha lenta na região. O projeto de transformar a área em um Geoparque reconhecido pela UNESCO está em andamento, com a prefeitura atualizando o Plano Municipal de Cultura e costurando estratégias para alcançar o título em até cinco anos. E tomara que consiga, porque potencial o município tem de sobra. O que falta é um empurrão menos burocrático e mais técnico.
Cenário regional e falta de qualificação nas prefeituras
Infelizmente, essa realidade não é exclusividade de Prudentópolis. Um olhar mais amplo para as cidades do Centro-Sul e dos Campos Gerais do Paraná revela um cenário preocupante: em matéria de valorização do patrimônio cultural, geológico, histórico e artístico, a maioria dos municípios ainda engatinha — ou melhor, rasteja como fóssil invertebrado.
A situação se agrava quando se percebe que muitas Secretarias Municipais de Cultura não contam com historiadores formados em cursos de bacharelado nem com técnicos especializados para formular e executar políticas de proteção aos bens culturais. O quadro funcional, em muitos casos, é ocupado por cargos comissionados ou pessoas formadas em áreas sem relação direta com patrimônio, história, museologia ou geociências. Resultado: falta visão, sobra improviso.
Povo perde história, cultura, memória e dinheiro...
Esse desarranjo institucional compromete não só a preservação do que temos de mais valioso, mas também a geração de renda e o desenvolvimento do turismo histórico-cultural. Em resumo: o povo perde cultura, perde história... e perde dinheiro que poderia estar circulando nas praças, museus, feiras e trilhas da memória.
O Geossítio Pinheiro de Pedra é muito mais do que um conjunto de fósseis — é um chamado. Um alerta de que investir em patrimônio não é luxo, é estratégia de desenvolvimento sustentável. E que o passado, bem cuidado, pode render bons frutos no presente e no futuro.
Fonte e imagens: Secretaria de Estado da Cultura do Paraná – Geossítio Pinheiro de Pedra
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